Saudade, Aveiro!

O retrato de usos e costumes em extinção ao longo de quase oitenta esculturas

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Escultor figurativo de Aveiro está a fazer um retrato dos usos e costumes antigos do País (c/áudio).

Afonso Henrique tem já cerca de 80 figuras típicas, de 45 a 90 centímetros, em grupos de par ou isoladas, representativas do Norte ao Sul, criadas em grés policromado que ganham, assim, além de interesse histórico, valor estético.

O artista prepara uma exposição que irá percorrer Portugal a partir de 2018. A cidade do Porto será o ponto de partida, seguindo-se Lisboa.

‘100 anos de usos e costumes em extinção’ é o título deste trabalho que resulta de quase duas décadas com as mãos no barro e muita pesquisa pelo meio.

O sargaceiro da Apúlia, o aguadeiro lisboeta (‘Galego), o vinhateiro duriense, a lavadeira do Rio Leça, a ama, o palhaço que fazia chorar, a bairradina,  o casal de marujo e varina, o homem do gabão, o marnoto e o fogueteiro são alguns dos muitos exemplares ainda inéditos.

“A temática tem muito a ver com a linha artística que fui aperfeiçoando. Em 1980 um crítico de arte, Lima de Carvalho, a propósito de uma exposição em Lisboa disse que eu era continuador da miniatura de Rafael Bordalo Pinheiro, ora esta afirmação seduziu-me”, recordou o escultor que é autor das quatro estátuas de figuras tradicionais de Aveiro colocadas na ponte praça, junto ao canal central de Aveiro.

O trabalho das peças que ilustram tradições, usos e tarefas populares, bem como vestes de trabalho ou de festa, surgem na sequência de outra exposição, ‘Era uma vez uma bilha’, onde retratou a história daquela peça de cerâmica popular desde a pegada do homem pré-histórico, percorrendo a evolução ao longo dos tempos, transposta para os usos e utilidades que teve em várias regiões de Portugal.

“Depois pensei nos usos e costumes em extinção. As primeiras foram alusivas a Aveiro. Espero deixar aos vindouros imagens para que possam recordar coisas belas do passado”, acrescentou e Afonso Henrique, de 68 anos, com ateliê na cidade da Ria, onde está radicado há muito.

Além da sua própria vivência, em especial de infância, e de relatos de pessoas de idade, o autor pesquisou em gravuras, nos espólios de grupos etnográficos, mas também os retratos feitos na literatura, por exemplo em obras de Eça de Queirós. Cada figura é acompanhada de um texto descritivo.

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