“Academia como a da Aleluia não deve haver nenhuma, não se pinta como nós pintamos. O objetivo ali era a perfeição”

O interesse por painéis decorativos azulejos pintados à mão está a ressurgir, apesar de quase já não existirem fábricas a produzir (c/áudio).

Muitos clientes estrangeiros andam pela zona de Aveiro em busca das poucas oficinas onde trabalham os últimos mestres e artistas cerâmicos figurativos.

A tradição secular da pintura manual de azulejos em Portugal tem raízes profundas na região, mas o caminho da industrialização trilhado pelo sector afastou as pequenas séries ou os trabalhos únicos.

Os pintores que restam a trabalhar podem ser encontrados apenas nas pequenas oficinas quase caseiras, mas onde normalmente não faltam encomendas.

É o caso de Carlos Vinhas, de 52 anos, natural de Águeda, que começou a pintar aos 17 na fábrica Aleluia, em Aveiro, uma das grandes escolas de painéis azulejares decorativos do País.

“Tenho painéis no Canada, Estados Unidos, Brasil, também pelo menos um na Austrália, embora os australianos não peguem muito. Já os americanos adoram azulejos para fins decorativos, pinto ao lado deles o que pedem”, contou.

A fundação da Aleluia remonta ao século XIX e foi graças à sua exigência artística que ganhou fama até hoje. “Academia como aquela não deve haver nenhuma, não se pinta como nós pintamos. O objetivo ali era a perfeição, o tempo não uma imposição, era a qualidade, hoje os valores inverteram-se”, refere Carlos Vinhas que tem como referências os pintores Jorge Colaço e Rui Campos. Da nova vaga, destaca também Francisco Cunha.

Os painéis decorativos pintados à mão conheceram ultimamente maior procura também graças a aplicações inovadoras numa linha de modelos de móveis de gama alta criados pela Boca do Lobo, que agrupa designers nacionais nortenhos. “A junção da madeira, da carpintaria, com o azulejo tradicional português, tudo isto, é uma obra de arte”, refere o artista.

Carlos Vinhas, a pedido do pintor Amílcar Ferreira, de Vagos, trabalhou neste “exemplo de conjugação feliz” entre mobiliário e azulejo que pode cativar artistas mais novos e ajudar a renovar a grande tradição portuguesa de pintura manual em cerâmica.

Os pintores de azulejos de Aveiro, herdeiros de tradições antigas iniciadas pela Fábrica da Fonte Nova e a Fábrica dos Santos Mártires, gostariam de aproveitar o turismo para lançar “um roteiro das artes ligadas à cerâmica e olaria tradicional portuguesa”.

Declarações em áudio aqui.

Mais info sobre Carlos Vinhas aqui.

Anúncios

One thought on ““Academia como a da Aleluia não deve haver nenhuma, não se pinta como nós pintamos. O objetivo ali era a perfeição”

Add yours

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

w

Connecting to %s

Powered by WordPress.com.

EM CIMA ↑

%d bloggers like this: