Os passeios marítimo turísticos na Ria de Aveiro estão a mudar, para melhor, a vida de José Rebelo.
O arrais de 33 anos, residente no concelho da Murtosa, está “muito animado” com a receptividade dos passeios fluviais a que resolveu dedicar-se.
Apesar de manter a vida como pescador profissional nas várias artes tradicionais, a nova atividade de guia turístico já dá trabalho quase a tempo inteiro nos meses da chamada época alta.
José Rebelo começa, assim, a ver retorno do risco assumido ao fazer o investimento de alguns milhares de euros na construção de um novo barco moliceiro, emblematicamente batizado de “Um Sonho”, que teve o seu bota abaixo em agosto de 2016. “Chamei-lhe assim, porque era um sonho de criança”, contou.
A “ideia” de usar a embarcação ex-lbris para mostrar aos visitantes as belezas ribeirinhas “ganhou força” quando, num domingo à tarde, “passeava” com a família junto ao canal central, na cidade de Aveiro.
“Debrucei-me numa das pontes e reparei nos barcos que andavam constantemente para trás e para a frente. Pensei: se isto dá aqui, porque não há-de funcionar na nossa ria aberta e não só nos canais ?”, explicou.
Futuro afigura-se risonho
Três anos depois de iniciar a atividade a partir da Torreira, e cumpridos outros tantos verões, “Um Sonho” já soma umas boas milhas náuticas e o futuro afigura-se risonho.
“O primeiro ano foi mais fraco, serviu para aprender, conseguir contactos. O segundo melhorou. Agora começámos já a trabalhar com agências, com a hotelaria e alojamento. Estamos com melhores condições para servir os clientes”, adiantou José Rebelo.
Os percursos ‘em carteira’ são diversos. “A ria aberta proporciona um passeio diferente, muito melhor. Dou a conhecer as ilhas, a Testada, o Monte Farinha, que as pessoas adoram, mas também vamos ao Rio Novo do Príncipe”, exemplificou o arrais que, além de turistas, sobretudo estrangeiros, conta sempre com “muitos emigrantes” da nossa região, no caso dos mais velhos “para matar saudades da juventude que passaram aqui”.
Os roteiros de José Rebelo podem incluir, também, uma ementa, onde o destaque gastronómico é a caldeirada de enguias. “É muito procurada sim, conseguimos as verdadeiras enguias da Ria. Surpreendem muita gente pela sua qualidade”, garantiu.
O programa de passeios, por grupos, ocupa um dia. Inclui almoço e tempo de lazer. O regresso faz-se ao final da tarde. “A partir de 10 euros por pessoa, o mesmo preço de um passeio nos canais da Ria”.
José Rebelo diz que está “muito animado para continuar nesta atividade do turismo”, e até “queria fazer disto o meu futuro, sem deixar a pesca nos meses piores.”
Tem como braço direito o sogro e conta ainda com a ajuda de outros familiares em terra. Quando não chega para os pedidos de passeios, ninguém fica sem embarcar. “Entrego as pessoas a outros arrais amigos que têm barcos parados”, afirmou.
‘Alguns alertas à navegação’
Apesar da satisfação, deixa alguns ‘alertas à navegação’. Um diz respeito à capacidade de resposta a outros níveis: “A Murtosa precisa de mais alojamento, para as pessoas ficarem durante o fim de semana, a oferta é pouca e ficam um dia, o que é pouco.”
O arrais queixa-se também de uma imposição na atividade marítimo turística na Ria, que diz respeito à lotação do barco, reduzida a 12 pessoas “quando tem condições para 22 ou 24 sem problemas, assim não rentabilizamos mais.”
Além das praias de mar e de Ria, José Rebelo “sente o turismo a mexer” na Murtosa, “muito por força do interesse” do museu da antiga fábrica de conservas COMUR e dos passeios de bicicleta.
Com os passeios fluviais “na verdadeira Ria”, espera-se também ver preservado o barco Moliceiro, existindo já sinais positivos. “Não posso ainda ter outro a navegar, mas há quem esteja a apostar nisso, vê-se gente a construir ou restaurar um quase todos os anos”, adiantou.
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