Saudade, Aveiro!

Salicórnia, a “planta carnuda, crocante e de sabor a mar”

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Antigamente chegou a ser “descurada e maltratada” pelos homens que faziam sal, agora a salicórnia das plantações da Ria de Aveiro já não chega para os pedidos.

Alavancada pela procura em ´alta´ para uso culinário, a produção certificada e 100% biológica de salicórnia, uma planta usada para substituir o sal, vai, a curto prazo, muito possivelmente, conhecer um crescendo significativo na zona de Aveiro, onde já está a ter maior expressão nacional, graças ao trabalho lançado há cerca de três anos por um grupo de jovens empreendedores locais.

“O consumo está na moda, sobretudo pelo interesse da alimentação saudável, mas entendemos que é uma tendência que veio para ficar. Só não podemos apressar as coisas, dar um passo maior que a perna, porque existem especificidades, temos de saber respeitar o que a natureza nos dá, acompanhar bem e melhorar a capacidade produtiva”, disse Eduardo Rodrigues , da empresa Horta da Ria, que tem entre mãos um ambicioso plano de expansão para multiplicar por quatro os atuais cinco hectares de cultivo localizados num ilha da Ria de Aveiro.

Uma planta que, apesar da intensidade do sabor a sal, tem muito menos cloreto de sódio, “um veneno” para a saúde, além de ser famosa pelas propriedades anti-oxidantes e anti-inflamatórias, entre outras caraterísticas medicinais.

A Horta da Ria, instalada na Incubadora de Ílhavo, além das plantações, feitas como se fosse um produto agrícola normal, que se realizam habitualmente entre os meses de março (sementeira) e setembro (colheita), trabalha ainda ao nível da transformação e comercialização contando com as gamas salicórnia fresca / verde, em pó (o chamado ´sal verde´), em conserva, mas também de sementes, para quem quiser ter em casa num vaso.

Os países mais consumidores ficam no Centro e Norte da Europa. Israel e Chile são grandes produtores. Portugal pode acompanhar, graças às boas condições oferecidas nos terrenos banhados pela Ria de Aveiro, especialmente as encontradas em antigas marinhas de sal desativadas por falta de procura do mercado.

A salicórnia era “descurada e maltratada” pelos marnotos (os homens que fazem sal), que costumavam arrancá-la dos tabuleiros das marinhas, porque pensavam que estragava o sal, retirava qualidades.

O desafio agora é outro: assegurar uma produção especial, diferenciada, verdadeiramente biológica, obriga a deixar a natureza atuar e saber acompanhar o que ela dá.

Ouça a reportagem aqui.

Mais informação sobre a Horta da Ria aqui.

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